No meio de agosto, resolvi ir a Cambridge. Apesar de minha cunhada favorita ter me passado intruções detalhadas de como ir e do que fazer em Oxford, Cambridge sempre me chamou mais a atenção. O trem Cambridge Express sai de Kings Cross, de onde também se pode tentar embarcar no Hogwarts Express, na plataforma 9 e 3/4, mas isso não é pra qualquer um.


Esse aí ficou no meio do caminho

Bom, chegando lá, como de costume, desencanei de qualquer guia turístico, comprei um mapa e saí andando pela cidade. Não sei bem se foi porque era sábado, se porque as aulas ainda não haviam começado, ou se porque foi um dia excepcionalmente bom, com muito sol e sem nenhuma nuvem no céu, depois de quase duas semanas de frio e chuva, mas a cidade estava abarrotada de turistas. Nem precisa pagar um guia, é só ficar meio perto de um grupo na hora das explicações. Meio mundo faz isso, dá pra perceber na hora.


A arquitetura é estupidamente bonita

Chega a ser até sacanagem. A cada esquina, uma escola que foi fundada no século XIII, e onde estudaram alguns dos maiores nomes da ciência. Você vira uma esquina e tem uma placa dizendo “neste prédio foi descoberto o elétron”, e assim por diante. Não dá pra negar a influência da Igreja. Cada uma das escolas (Colleges) é famosa por sua capela, com vitrais impressionantes, e uma riqueza de detalhes que chega a ser opressiva.

Enquanto a maioria das pessoas (eu acho) acham tudo isso maravilhoso, eu fico pensando: “pra quê?” Por quê construir prédios tão grandes, com pé direito de dezenas de metros? Com tantos detalhes, com tantos adornos? Se é que deus existe mesmo, e se ele for tão humilde quanto a igreja católica diz que devemos ser, será que ele não se contentaria com algo mais simples? Será que o clero não deveria por em prática um pouco da humildade que eles ensinam?


Kings College


Interior da King’s Chappel

Infelizmente não consegui visitar as duas escolas que mais me interessavam. Christ College, onde Darwin estudou, e Trinity College, onde Newton estudou, estavam fechadas ao público. No fim da tarde, uma boa surpresa, os alunos de artes da “ECA-Cambridge” estavam apresentando um festival de peças de Sheakspeare. Naquele dia seria “A Lover’s Tale”. A peça foi apresentada no gramado, com uma cordinha delimitando o “palco”, tal como poderia ter ocorrido nos tempos do velho William.