Como se pode odiar, ou amar, um país? […]

Conheço pessoas, conheço cidades, fazendas, montanhas, rios e rochas;

sei como o sol poente do outono se esparrama pela
face de um certo tipo de terra arada nas montanhas;

mas qual o sentido de impor um fronteira a isso tudo,
dar-lhe um nome e deixar de amar o lugar onde o nome não se aplica?

O que é amor pelo seu país?

É o ódio pelo seu não-país?

Então, não é uma coisa boa.

É apenas amor-próprio?

Isso é bom, mas não se deve fazer dele uma virtude ou uma profissão de fé…

Na mesma medida em que amo a vida, amo as montanhas […],

mas esse amor não tem uma fronteira traçada com ódio.

E para além disso, sou ignorante, espero…

Therem Harth (Estraven)

A mão esquerda da Escuridão - Ursula L. Le Guin (1969)