Hoje foi dia de empinar pipa. Sério.

Assim, o Mike, meu orientador daqui, tem um projeto de testar o uso de pipas como plataforma de baixo custo para fotografias aéreas. Basicamente, você prende faz um suporte, prende uma câmera fotográfica digital de alta resolução nele, mais uns apetrechos eletrônicos, pendura tudo isso em uma pipa (daquelas grandes, tipo pára-quedas), faz a pipa voar, e usa um controle remoto para disparar a câmera. Simples né? Nem tanto.

Na prátiva a coisa tem várias complicações, desde os cabos de sustentação da câmera que teimam em ficar se enrolando até as várias pecinhas eletrônicas, que nunca funcionam quando você quer. Foi um dia de testes, pra ver se tudo estava funcionando (não estava), mais uma preparação para uma viagem que estamos planejando para o fim do mês, quando a coisa vai ser pra valer.

Primeiro fui até Luton, que é onde o Mike mora, mas como meu trem para Londres foi mais devagar que o normal, cheguei alguns segundos atrasado na estação e perdi o trem rápido para Luton. Foi chegar na plataforma e ver as portas se fechando e o trem partindo… Só restava esperar pelo próximo, que parava em todas as estações no caminho e demorou quase uma hora para chegar lá. O Mike foi me buscar na estação com seu Land Rover azul 1964, cheio de tralhas dentro. Uma parada na case dele pra pegar o equipamento e fomos para o ponto mais alto de Bedfordshire (e do Leste da Inglaterra), onde há um centro de visitantes gerenciado pelo National Trust, famoso pelos festivais internacionais de pipas, e pelos planadores, que são lançados logo ao lado.


O Land Rover azul (muito comum por aqui, aliás)

Ao fundo os planadores. Primeiro é preciso ajustar as câmeras, ver se elas estão disparando por controle remoto, etc. Claro que nada funciona direito quando você chega no local de testes, mesmo se estavam funcionando perfeitamente antes de você sair de casa. Tínhamos três objetivos para hoje, testar um novo suporte da câmera (mais leve e simples), testar o uso de duas câmeras ao mesmo tempo, e por fim testar uma lente nova, olho-de-peixe, para fotos 360 graus.

Depois de vários problemas com os cabos das conexões eletrônicas, que o Mike soldou muito, mais muito mal, conseguimos fazer tudo funcionar e prendemos as câmeras no suporte, que é feito de fibra de carbono. Aproveitamos o primeiro vôo para testar o suporte e as duas câmeras, uma delas usando um filtro infra-vermelho.


As duas câmeras Nikon Coolpix presas no suporte

Na parte de cima, à esquerda (com o fio laranja enrolado), fica o controlador de rádio, desses usados em aviões de controle-remoto (o controle em si também é de aviões). À direita, as pilhas. Esse fio branco que aparece em primeiro plano é o que liga a câmera ao controle remoto, usado para disparar as fotos.


O aparato pendurado na linha da pipa

A idéia do suporte em “+”, junto com os fios brancos que parecem aqueles de controlar marionetes, é que eles não estão presos no suporte, mas passam por roldanas, então, na teoria, o suporte deveria se manter na posição horizontal. Só na teoria.


A pipa no ar

É uma pipa de tamanho médio, para dias com vento mediano. O Mike tem três, uma pequena, para ventos fortes, a média, e uma grande, de uns 3-4 metros, que voa mesmo quase sem vento. Depois de alguns testes, e de descobrir que a gente deveria ter lido o manual das câmeras antes de usá-las, resolvemos fazer um último vôo com a lente olho de peixe. Dessa vez colocamos só uma câmera no suporte, que ficou melhor equilibrado, e levantamos vôo. As fotos ficaram melhores, bem interessantes.


Zóio-de-peixe

No fim, muitas coisas pra arrumar, várias idéias a testar. Na próxima segunda devemos fazer um novo teste. Vamos ver se as imagens infra-vermelho funcionam. Na volta, consegui pegar o trem rápido, que não para em nenhum lugar no caminho, e em cerca de 20 minutos já estava em Londres.