Demorou mas finalmente está-se falando do ORCID aqui no Brasil. OR-quem? Calma que eu explico.

ORCID é a sigla para Open Researcher and Contributor ID. A ideia é que cada pesquisador que se cadastra recebe um número de identificação (o meu é 0000-0001-5073-5572) e esse número é eterno. A pessoa pode mudar de sobrenome, de instituição, país ou planeta que esse identificador será sempre o mesmo. Pra quê isso? Imagine quantos “John Smith” existem por aí, publicando suas pesquisas em várias áreas do conhecimento. Tem horas que nem o Google aguenta (quem é “J. Smith”? John? Jérôme? Jebediah?). Sem contar que as revistas científicas não seguem um padrão na hora de abreviar nomes.

Cada vez mais, as revistas estão pedindo que os autores incluam o número do ORCID no momento da submissão de artigos. Recentemente, uma série de editoras científicas assinaram uma carta aberta se comprometendo a exigir essa informação de todos os autores. Entre as editoras estão a The Royal Society, Science e a AGU (American Geophysical Union). A revista Pesquisa FAPESP fez uma reportagem bem legal sobre o tema, intitulada RG de Pesquisador. Leia lá que vale a pena. E a UNESP é a primeira universidade brasileira a aderir ao ORCID. A USP está finalizando o acordo com o ORCID.

Mas há mais do que um simples identificador no ORCID. Cada pessoa cadastrada tem um perfil que pode servir como um currículo on-line, com informação de instituições às quais essa pessoa esteve/é ligada, financiamentos obtidos e, claro, uma lista das publicações. Nem é preciso digitar os dados dos artigos, pode-se buscar os dados através de conexões do ORCID com o Scopus ou ResearcherID. Mas aí você pode dizer que já tem o Lattes.

Pra quê fazer outro currículo on-line? E aí eu vou te lembrar que o Lattes não é algo universal. Nós ficamos acostumados a ter acesso ao currículo de todos os pesquisadores brasileiros, mas essa situação é bem fora do comum. Tente buscar uma lista de publicações de pesquisadores estrangeiros. Alguns tem isso em um website pessoal ou institucional, mas a maioria não. Eu já passei por situações onde precisava dessas informações mas não conseguia de jeito nenhum. Me lembro de ficar pensando como seria bom se o Lattes fosse realmente universal… Claro que o Lattes não é perfeito. Vira e mexe aparece uma dúvida de como incluir alguma informação por lá, mas se você pensar bem, é uma base de dados impressionante. Outro ponto interessante da questão Lattes x ORCID é que o ORCID certamente tem mais visibilidade que o Lattes, se pensarmos em um contexto internacional. O que ainda falta para nós, brasileiros, é uma integração do Lattes ao ORCID, de modo que possamos importar as produções de uma base de dados para a outra. Então não fique aí parado, vai lá em http://orcid.org/ e faça seu cadastro. Agora!    

Nota: o título deste post foi descaradamente inspirado neste post aqui.  

EDIT: originalmente eu tinha escrito “E a UNESP será a primeira universidade brasileira a aderir ao ORCID. Há rumores que a USP faça isso em breve.” A Sibele Fausto me alertou que via twitter que não são rumores, que o acordo está sendo finalizado, então corrigi o texto. Valeu, Sibele!

Comments

Paulo henrique de Assis Santana: Prezado Professor 0000-0001-5073-5572, Embora postado há mais de um ano, seu texto permanece extremamente atual. Meu nome é Paulo Henrique de Assis Santana e fui o primeiro coordenador do projeto Lattes, tendo trabalhado na difusão do padrão da plataforma Lattes desde seu início até meados de 2003, quando deixei o CNPq. Concordo integralmente com seu ponto de vista e tenho envidado esforços, agora que estou de volta ao CNPq, para que o CNPq se filie ao ORCID, de forma a que se possa ter o intercâmbio entre as bases Lattes e ORCID, posto que, embora a chave de identificação do pesquisador por cpf fizesse sentido na década de 90 do século passado, ela condena o Lattes a ser um instrumento unicamente nacional, dificultando sua internacionalização. Inclusive, notei que seu histórico de financiamentos tem o senhor mesmo como fonte, sendo que, se o CNPq e as outras agências fossem filiadas ao ORCID, tal histórico poderia ser automaticamente preenchido, trazendo vantagens ao pesquisador e às próprias instituições de fomento. O próprio Lattes poderia beneficiar-se da filiação do CNPq ao ORCID, posto que isto viabilizaria o preenchimento automático do currículo Lattes com as publicações, financiamentos e outras informações constantes de bases da dados de outros filiados. Assim, ao mesmo tempo que o parabenizo pelo texto, consulto-o sobre a possibilidade de que me envie texto com sua experiência atualizada com o ORCID, ajudando-me assim em nossas discussões internas. Atenciosamente PHAS

Paulo: Hi Carlos, I saw one post yours about the Tyvek papar and would like know if you can tell me what program is used to print bracellet with laser printer. My email is pspedepoeira@hotmail.com. Thank you so much.