Os modelos de elevação SRTM são muito utilizados aqui no Brasil, já que não temos uma cobertura de mapas topográficos em escala decente (1:50.000 ou melhor) da maior parte de nosso território.

Porém, tenho notado quatro erros muito frequentes nos artigos e monografias (TCCs, dissertações e teses) que vou comentar a seguir.

O primeiro é com relação à citação do SRTM. Com tantos artigos que falam sobre o SRTM, é compreensível que surja uma dúvida sobre qual usar para citar os dados.

A melhor citação para o SRTM é esta aqui:

Farr, T.G., Rosen, P.A., Caro, E., Crippen, R., Duren, R., Hensley, S., Kobrick, M., Paller, M., Rodriguez, E., Roth, L., Seal, D., Shaffer, S., Shimada, J., Umland, J., Werner, M., Oskin, M., Burbank, D., & Alsdorf, D., 2007. The Shuttle Radar Topography Mission. Review of Geophysics, 45:RG2004. DOI: https://dx.doi.org/10.1029%2F2005RG000183

Esse artigo traz uma descrição bastante completa da missão SRTM, dos sistemas de radar, etc.

O segundo ponto é sobre o acrônimo SRTM, que significa Shuttle Radar Topography Mission. Notem que o “T” é de Topography e não de Topographic, como tenho visto em muitos artigos e teses.

O terceiro ponto é um pouco mais conceitual. Vejo muitos textos dizendo que “os modelos de elevação foram construídos com dados SRTM”, ou algo nessa linha. O problema aqui é que os dados SRTM já são modelos de elevação. Para construir os modelos de elevação com dados SRTM, seria necessário ter acesso aos dados brutos de radar, fazer o processamento da interferometria, etc. Então é melhor dizer que “foram utilizados dados de elevação SRTM (Farr et al., 2007)”.

O último ponto é sobre o que os dados SRTM representam. Por terem sido gerados com interferometria de radar das bandas C e X (vejam lá os detalhes no artigo do Tom Farr), os valores de elevação só representam o terreno em espaços abertos. Em áreas com vegetação, as ondas de radar (nesses comprimentos de onda) não penetram no dossel das árvores, então a elevação do SRTM é a de uma superfície que passa perto do topo do dossel. Desse modo, não é correto dizer que o SRTM seja um Modelo Digital de Terreno (MDT), mas sim um Modelo Digital de Elevação (MDE) ou de Superfície (MDS).

A figura abaixo mostra a relação entre Modelos Digitais de Superfície e de Terreno para uma área no norte da Amazônia e deve ilustrar bem a diferença entre os dois.


Perfis topográficos de dados SRTM, ASTER GDEM e Radiografia da Amazônia (Grohmann, 2015).

 

É isso. Espero que este post ajude um pouco a sanar essas dúvidas comuns.

Referência Grohmann, C.H., 2015. ‘Radiography of the Amazon’ DSM/DTM data: comparative analysis with SRTM, ASTER GDEM. Geomorphometry 2015, Poznam, Poland. Proceedings. PDF disponível aqui